Uso de amelogenina em cirurgias mucogengivais

Você sabe o que são amelogeninas e como podem ser utilizadas durante as cirurgias mucogengivais? Leia o conteúdo a seguir e veja tudo o que você precisa saber sobre o assunto.

No decorrer dos últimos anos, a estética se transformou numa preocupação fundamental para a Odontologia, inclusive nos tratamentos periodontais. As recessões gengivais que, por vezes, expõem as superfícies radiculares e geram alterações morfológicas nos tecidos periodontais, resultam em sequelas estéticas importantes, que interferem na qualidade de vida e autoestima dos pacientes.
 
A cirurgia mucogengival pode ser definida como um conjunto de procedimentos desenhados para preservar a gengiva, remover os freios e as inserções musculares e aumentar a profundidade do vestíbulo, segundo Friedman em 1957. Mas essa classificação evoluiu com o passar do tempo, resultando no conceito de cirurgia plástica periodontal, definida em 1996, incluindo outros procedimentos, como a estética dos tecidos moles.

As recessões gengivais são, portanto, um importante desafio para a Odontologia e as indicações para o recobrimento radicular são inúmeras, que vão de técnicas cirúrgicas com maior ou menor previsibilidade de resultados, técnicas que incluem retalhos pediculados, enxertos gengivais livres, bem como a combinação de diversas técnicas e associação com distintos materiais como as proteínas de matriz de esmalte.

As proteínas de matriz de esmalte são um complexo de proteínas, essencialmente as amelogeninas, proveniente dos germes dentários. A amelogenina é uma proteína produzida pelos ameloblastos que possuem uma função importante na formação embrionária do germe dental, como na dentinogênese e cementogênese, isso porque ela atrai quimiotaticamente células mesenquimais que exprimem um fenótipo cementoblástico e começam a secretar cemento acelular, que irá se inserir nas fibras de Sharpey do ligamento periodontal.
 
A partir de então, outras células mesenquimais vão se diferenciar em células do ligamento periodontal e do osso alveolar, formando o periodonto profundo. As células atraídas por essa camada de proteínas vão se diferenciar em cementoblastos, osteoblastos e fibroblastos, promovendo a regeneração periodontal.

Seu objetivo fundamental, durante o uso em cirurgias mucogengivais, é que possam mimetizar a cementogênese que ocorre durante o desenvolvimento da raiz através da capacidade de induzir a regeneração periodontal, sendo, portanto, um procedimento que se caracteriza pela interação entre as células do ligamento periodontal e as proteínas matriz de esmalte. Conforme Roman et al., 2012, alguns autores relatam que estas proteínas apresentam capacidade de regenerar os tecidos periodontais.
 
Há estudos que revelam que a adição das proteínas de matriz de esmalte, durante o tratamento de recessões gengivais, evidencia a formação de cemento, novo ligamento periodontal e novo osso, que servem de base para todos os tecidos necessários a uma fixação efetivamente funcional e estética do complexo mucogengival perdido.

Quais as indicações?
 
As indicações mais pontuais para o uso da amelogenina nos procedimentos de recobrimento radicular são em recessões amplas e profundas, recessões profundas múltiplas e dentes vestibularizados associados à fenestração óssea, mas também pode ser utilizada em 100% dos casos sem contraindicação.

E como funciona o procedimento cirúrgico?
 
A técnica cirúrgica tem início através de uma incisão intrasulcular na região da recessão gengival, complementada por duas incisões verticais de descarga. Em seguida, é realizado um deslocamento parcial até o limite apical da recessão, com posterior deslocamento da espessura total desde o limite até o fim do vestíbulo.

O tecido epitelial deve ser retirado para que se possa criar um leito de tecido conjuntivo sobre o qual o RRC será reposicionado. Posteriormente, condicionar a superfície radicular exposta com EDTA 24% durante dois minutos e, em seguida, após uma irrigação copiosa com solução salina estéril, o gel contendo as proteínas de matriz de esmalte é aplicado sobre a superfície radicular exposta. Por fim, procede-se à sutura.
 
Estudos indicam que a combinação de proteínas matriz de esmalte, a um retalho de reposicionamento apical, é uma alternativa com elevada eficácia de resultados clínicos e estéticos, além de fornecer resultados positivos em relação ao ganho de inserção clínica e aumento de osso, observados radiograficamente. É, portanto, uma alternativa viável, sendo que cada caso deve ser avaliado individualmente, segundo critérios e qualificação do cirurgião-dentista responsável.

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